2.7.12

Resenha: Classe A, Cherub

Classe A, por Robert Muchamore.
Editora: Fundamento
ISBN: 9788539501571
Páginas: 271

Seus agentes têm entre 10 e 17 anos e costumam passar despercebidos no mundo dos adultos, que não veem uma criança ou adolescente como ameaça. Oficialmente, esses agentes não existem. A “estreia” de James como um agente de CHERUB pode ter sido bem-sucedida, mas isso não quer dizer que a vida do garoto tenha se tornado mais fácil. O árduo treinamento físico continuou a fazer parte da rotina, assim como o complicado processo de adaptação às regras inflexíveis da agência. Tanto esforço foi recompensado da melhor forma possível: ele recebeu uma segunda missão, muito maior do que a primeira. Sob a supervisão de dois agentes adultos, James e mais três agentes tinham que se aproximar dos filhos de Keith Moore – um dos maiores traficantes de cocaína da Inglaterra – e reunir informações que levassem à prisão do criminoso e ao fim de seu império. Diante de tantos desafios, será que James estava preparado para tamanha responsabilidade? Ele conseguiria lidar com suas emoções e desempenhar seu papel sem que ninguém descobrisse sua verdadeira identidade? Caçar bandidos pode parecer emocionante na ficção, mas na vida real os riscos são grandes demais para se ter garantia de que todos vão escapar ilesos.

Antes de mais nada, Classe A é um dos melhores livros que li, um dos que possui a melhor trama, a história mais envolvente e as personagens mais carismáticas e humanas possíveis (e incrivelmente, a menoridade delas não fez a coesão decair!)

Pois começarei pelas idades das personagens. Todas elas, as principais, possuem até 17 anos, ou seja, são pré-adolescentes, ou mesmo adolescentes, geralmente órfãos que são recrutados por Cherub, uma agência de espiões que se infiltra mais facilmente nos esquemas por ter na faixa etária uma característica vantajosa: quem iria desconfiar de garotinhos? Pois esse é o principal ponto do livro que deveria descreditar a história do livro - mas não é isso o que acontece. Apesar de serem maduros, também apresentam comportamentos típicos de adolescentes. Sendo assim, a armadilha de autores (quantos livros que trabalham dessa forma já apresentaram personagens totalmente fora da realidade?) foi muito bem desarmada por Robert Muchamore.

Mas não é esse o meu maior elogio ao escritor. Na realidade o que torna o livro tão bem escrito são as situações narradas, e toda a ação cadenciada que há na série (a mesma coisa ocorreu no primeiro livro - leia a resenha aqui). Também há o começo, o meio e o fecho, nos apresentando o clímax e resolvendo-o. A série é constituída de muitos livros (tipo HoN, sabem?) e até agora eles possuem um final, não deixando os leitores ávidos pela continuação (o que só atrapalha, pois eu sempre esqueço os detalhes até o lançamento hahaha), sempre existindo ótimos pretextos para o começo da história do livro seguinte.

Por exemplo, neste volume James recebe uma missão importantíssima, mesmo depois de aprontar em suas férias. Muito mais perigosa do que a aventura do primeiro livro, ele e mais outros cinco colegas espiões têm que desvendar os esquemas e trapaças que ocorrem em torno (e dentro, também) da GKM (Gangue de Keith Moore), uma "empresa" de narcotráfico. Assim, o assunto abordado pelo autor é muito mais polêmico e perigoso em seu contexto: os espiões juvenis possuem um trabalho bem mais traiçoeiro e complicado.

Ele sabia que coce deixava as pessoas altas, mas nunca tinha se dado conta de que podia fazê-las agir como completos doidos sem noção.

De forma ácida e impiedosa, o livro ainda toca no assunto da corrupção e da droga no Brasil:

- Onze milhões de dólares rendem muito na América do Sul. Eu aposto no Brasil. É fácil desaparecer em um país com 200 milhões de habitantes. Ele pode comprar uma identidade nova de algum representante do governo corrupto, talvez até fazer cirurgia plástica para mudar a aparência.

A escrita de Robert é muito fluída. Assim que acostumado, o leitor não terá grandes problemas com ela. Uma leitura gostosa, atraente e com uma moral implícita por trás de um assunto tão problemático: as drogas.

6 comentários:

  1. Oi, Mell. Eu não tinha tanta vontade de ler esse livro, mas agora eu fiquei bem empolgada. Fiquei muito curiosa.
    Espero poder ler em breve.
    Beijos

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  2. Não sou fã de séries de livros. Não sei porque. '-'
    Mas fiquei com vontade de ler por causa da parte do Brasil...
    Bjs

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  3. Que blog maravilhoso! É a primeira vez que visito ele, e graças a uma pesquisa que eu estava fazendo sobre Triste Fim de Policarpo Quaresma, encontrei este tesouro...
    Parabéns pelo blog, me identifiquei muito com você, sou vestibulanda também, e vivo num dilema quanto a escolha de um curso para eu prestar vestibular...
    Bem, gostaria de saber se você topa dar uma entrevista, quero falar de você no meu blog...
    Aguardo sua resposta.
    Beijos
    chic-lisboa.blogspot.com

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Achei bem interessante Mel, e nunca tinha visto esse livro! Amo livros que não são romances! <3

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