25.1.12

Resenha: Orgulho e Preconceito

Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.
Editora: Martin Claret
Páginas: 304
ISBN: 9788572326919

A obra literária de Jane Austen deu ao romance inglês o primeiro impulso para a modernidade, ao tratar do cotidiano de pessoas comuns. De aguda percepção psicológica, seu estilo destila sempre uma ironia sutil, dissimulada pela leveza da narrativa.Orgulho e Preconceito (1797) é a obra mais conhecida da autora. Jane Austen mostrou como o amor entre os protagonistas era capaz de superar barreiras de orgulho e preconceito, a diferença social entre eles e o escasso poder de decisão concedido à mulher na sociedade da época.A crítica veio a considerá-la a primeira romancista moderna da literatura inglesa.
Ele, o orgulho. Ela, o preconceito. Porém ambos são tão parecidos, e se admiram tanto, que no final o que realmente importa é o sentimento que nasceu entre eles.

Tudo começa quando o rico sr. Bingley e sua irmã, srta. Bingley, decidem alugar Netherfield, uma propriedade de tamanho prestígio em uma pequena cidadela. Eles, junto do sr. Darcy (outro rapaz rico, mais afortunado que o primeiro cidato) decidem passar um tempo indeterminado na cidade. É a novidade que qualquer moça solteira da região precisava para sonhar alto e desejá-los como marido. Aliás, qualquer moça solteira, principalmente as menos afortunadas. A sra. Bennet vê nessa situação a possibilidade de casar qualquer uma de suas cinco filhas solteiras com um bom partido, e logo decide investir. É claro que casar todas as suas filhas é o seu maior sonho, ainda mais com ricos moços, e seu desejo é tal, que transparece para quem quiser enxergar - e até para os menos observadores. Logo a família é apresentava ao sr. Bingley através do sr. Bennet, que não possui o matrimônio de suas filhas como seu sagrado objetivo, mas sim, um modo de acalmar a esposa tão afoita quanto ao assunto, e de agradar às filhas, sobretudo Elizabeth, a segunda mais velha, sua preferida.

Entre bailes e jantares, além de uma semana doente hospedada em Netherfield, Jane, a irmã mais velha, doce e ingênua, mas também a mais bela, começa a nutrir um sentimento especial quanto a Bingley, e assim vice-versa. Sua paixão por Jane fica estampada em sua testa, porém ela não demonstra tão avidamente, pois teme ser exposta demais. Porém, conta tudo à sua irmã, Elizabeth (Lizzy ou Eliza, também), sua melhor amiga. E sua mãe não se cabe de alegria, contando descuidadamente para todo mundo a honra de ver uma filha a beira do noivado.

Outro fato ao lugarejo, além do sentimento aparente entre o sr. Bingley e a srta. Bennet mais velha é a arrogância e o orgulho do sr. Darcy, um cavalheiro altivo e intocável. Elizabeth, mas como outros também, não o via com bons olhos, principalmente depois de ouvir as deselegantes observações que ele fizera a respeito de sua beleza, dizendo firmemente que ela não possuía nenhuma atração para ele.

Entretanto, o sr. Bingley precisou voltar a Londres a negócio, e sua irmã correspondeu-se com Jane, dizendo que não previam nenhum retorno como o prometido pelo irmão. É o que bastava para deixar a todos descontentes - exceto as duas irmãs Bennet mais novas, as quais aproveitavam do regimento que estava em Meryton, uma cidade bem próxima, e não perdiam a oportunidade de visitar seus tios que lá viviam para correr atrás dos homens uniformizados. Tal comportamento era visto com desdém por Elizabeth, pois acreditava que se tratava de maus hábitos e que não passavam de boas namoradeiras, má reputação para a família.

Jane decide passar uma temporada na casa de sua outra tia, em Londres, e Elizabeth com sua recém casada amiga, sra. Collins, a uma distância favorável de sua casa. Lá passa a conviver com o seu primo, marido da amiga e religioso servo de lady Catherine de Bourgh, uma mulher extremamente arrogante e com mania de superior devido a sua extensa fortuna. Além disso, tia do sr. Darcy, o qual Elizabeth passa desprezar por descobrir, através de terceiros, que ele impediu o noivado da irmã e, ainda, impediu a felicidade de um adorável rapaz, Wickham, o qual foi criado junto dele e tinha como destino a igreja, tendo ela uma ideia de egoísmo e mesquinhez de Darcy. 

Darcy, então, visita a tia e passa dias e mais dias a visitar Lizzy e o sr. Collins. Eis que um dia, enquanto a srta. Bennet está sozinha, ele declara estar apaixonado por ela há muito tempo, e a pede em casamento. Elizabeth fica confusa, sem imaginar essa possibilidade, e ainda, horrorizada com a perspectiva de casar-se com um homem que tanto odeia. Ela o recusa, e acusa-o sobre Jane e Wickham. Eles discutem, e Darcy sai contrariado e com o ego ferido, pois nunca pensou nessa recusa, principalmente por Elizabeth não ser nobre e ele, sim, ser rico.

No dia seguinte, ele a procura antes de partir e lhe entrega uma carta de duas folhas, extensa e que expunha suas explicações quanto aos casos apontados por Lizzy, e a atormenta durante tempos, pois percebe o erro que cometera ao julgá-lo sem provas ou, até, sem as próprias palavras dele. Depois de um tempo, eles se reencontram, dessa vez na própria casa de Darcy, que estava aberta a visitação e os tios quiseram visitar. E a partir desse encontro envergonhado e significativo, ele lhe dá a oportunidade de o conhecer melhor, e sua imagem muda aos olhos de Lizzy, que passa então a admirá-lo, até apaixonar-se com o tempo.

Apesar de querer falar mais e mais sobre a história, já escrevi muito sobre ela - e creio ter deixado muita coisa de lado. Porém não quero estragar toda a surpresa, que garanto que terão, pois esse livro é de uma delicadeza tocante, e de leitura mais que agradável!

Eu tinha muitas expectativas quanto ao nome Jane Austen, e estava incomodada por ainda não ter lido nada dela. Ainda, tinha receio de me decepcionar com sua escrita. Mas, as expectativas foram mais que atendidas, e agora passo a admirar Jane Austen pela destreza de ser uma mulher inteligente e corajosa para a sua época. O que mais gosto de imaginar é a autora lutando para ser escritora numa época em que era difícil mulheres serem críticas e tão independentes assim.

A leitura é ótima, com um vocabulário um pouco mais rebuscado que o normal, porém não exageradamente. A história é simples, mas ao mesmo tempo extensa e complicada de se explicar, de tanta reviravolta e casos acontecendo simultaneamente. O contexto é que é simples: retrata a perspectiva do matrimônio na época, com um toque de reflexão e uma crítica disfarçada. Os personagens são bem construídos, com preferência pelo temperamento, e os diálogos, inteligentes.

Eu assisti ao último filme lançado (com a Keira Knightley e o maravilhoso do Matthew Macfadyen) e poderia fazer uma análise livro x filme, porém ficaria extenso demais. Mas o que posso dizer brevemente é que é uma adaptação muito fiel, mudando pequenas coisas que não poderiam nem irritar a mais exigente das leitoras (eu!!). Vale a pena ler e assistir logo em seguida!

E, por último, não posso deixar de elogiar a editora Martin Claret pelo ótimo trabalho que faz. A diagramação é compacta por ser um livro de bolso, mas apesar de eu amar livros estendidos, os normais, amei poder ter acesso a essa edição, pois é bem editada, revisada e o material é muito bom! Além disso, fico contente com a filosofia da editora:

A Filosofia de trabalho da Martin Claret consiste em criar, inovar, produzir e distribuir, sinergicamente, livros da melhor qualidade editorial e gráfica, para o maior número de leitores e por um preço economicamente acessível.

Quotes:
- O orgulho dele - disse a srta. Lucas - não me ofende tanto quanto de costume, pois tem uma desculpa. Não é de admirar que um jovem tão distinto, com família, riqueza, tudo a seu favor, tenha a si mesmo em alta consideração. Ele tem o direito de ser orgulhoso, por assim dizer.
- Isso é verdade - replicou Elizabeth -, e eu não teria dificuldade em perdoar o orgulho dele, se ele não tivesse ferido o meu.
A pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho está mais ligado à opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade ao que os outros pensam de nós.

12 comentários:

  1. Um dos melhores livros que já li! As outras obras de Austen tu vais adorar se gostou tanto de Orgulho e Preconceito. A resenha está muito bem escrita, adoro seu estilo:) Só achei que tem informação demais sobre a história. Tira um pouco da emoção de quem ainda vai ler o livro e não

    Beeijos :*

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  2. Oi Mellory!
    Já vi o filme diversas vezes, mas nunca li o livro! Amo o filme, então preciso ler o livro, porque deve ser muito melhor.
    Realmente, Jane Austen era uma mulher à frente de sua época. Tem um filme que conta a história dela, mas não estou conseguindo lembrar do nome agora >_<
    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  3. É um clássico, mas infelizmente eu ainda não li. Shame on me, haha. Enfim, pretendo ler Orgulho e Preconceito ainda esse ano e ver o filme também, que eu ainda não criei vergonha na cara pra parar e baixar )): Eu também tenho mto medo de me decepcionar com a escrita dela, mas já que todo mundo fala bem e pelo peso de cultura que é ler algo da Jane, eu tenho fé que vou gostar :D

    Beeijão e obrigada pela visita lá no blog :D
    Kaká

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  4. Lindo livro, linda resenha. Parabéns

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  5. Um de meus livros favoritos, e concordo totalmente: o filme é uma adaptação MUITO fiel. Assisti logo após ler o livro, e dava para notar que até os diálogos, muitas vezes, eram totalmente fiéis! Ah, este livro... Atemporal. Jane Austen é atemporal!

    Beijos Mell!

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  6. Eu ja tinha visto o filme deste livro... mas não cheguei a ver até o final pq a minha mãe perdeu a paciência e desligou td =O Agora eu quero terminar de assistir... =(

    Acesse: www.Imaginayre.com.br

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  7. Eu também adorei ter lido o livro pela edição da Martin Claret porque a tradução e a revisão deles é muito bem feita. Sem contar com a filosofia deles que, claro, é maravilhosa.
    Babei na sua resenha!
    Estava sentindo sua falta, rs.
    Beijão

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  8. AMO ESSE LIVRO! *--* Sério! Impossível não se apaixonar tanto pelos personagens quanto a narração da Jane. :D Também tinha receios antes de lê-lo por causa da escrita. :)
    O filme que me fez querer ler o livro, não teve como não me apaixonar por ele e fiquei maluquinha atras do livro. :)
    Beijos,K.
    Girl Spoiled

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  9. Sua resenha ficou enorme mas eu gostei disso até porque, como você, estou incomodada por nunca ter lido nada dela. Ainda tenho esperanças de que um dia eu crie coragem *-*

    Beijinhos,
    Thais P.
    http://thaypriscilla.blogspot.com

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  10. Já viu a promoção que ta rolando solta no blog O Leitor?
    Ainda não?
    Então corre, que até o dia 05 de Fevereiro você ainda pode concorrer a um dos 6 livros que estão sendo sorteados.
    Beijos e espero você lá,

    Pamela.

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  11. Esse livro é o meu livro favorito de todos os tempos. Sei as falas decoradas!
    Adorei sua resenha, você fez juz ao livro. Parabens!

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  12. Amo esse livro :D
    Sou apaixonada por Orgulho e Preconceito. E se você gostou do filme, aceite meu conselho e procure a série Orgulho e Preconceito criado pela BBC. Tem 6 capitulos é D.I.V.I.N.O
    "Talvez" você estranhe os personagens no início (aconteceu isso comigo pelo menos), mas a história de Jane Austen é tão perfeita que você rapidamente se apaixona pela série ^^

    Adorei a resenha! Parabéns pela ótima leitura <3 ler um bom livro é tudo de bom ná? Rsrs.
    Beijos, Natalia

    Http://natsonhadora.blogspot.com.br

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