29.1.12

Resenha: Assassin's Creed - Renascença

Assassin's Creed - Renascença, de Oliver Bowden.

Editora: Galera
Páginas: 375
ISBN: 9788501091338



Traído pelas famílias que governam as cidades-estado italianas, um jovem embarca em uma jornada épica em busca de vingança. Para erradicar a corrupção e restaurar a honra de sua família, ele irá aprender a Arte dos Assassinos. Ao longo do caminho, Ezio terá de contar com a sabedoria de grandes mentores, como Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel, sabendo que sua sobrevivência depende inteiramente de sua perícia e habilidade. Para os seus aliados, ele será uma força para trazer a mudança lutando pela liberdade e pela justiça. Para os seus inimigos, ele será uma ameaça que procura destruir os tiranos que oprimem o povo da Itália. Assim começa uma épica história de poder, vingança e conspiração.

Quando a oportunidade de ler um livro baseado num jogo de videogame me bateu à porta, adicionado ao fervor do meu namorado viciado no jogo em questão (que me contou parte da história), não pude deixar de agarrá-la. O sucesso do jogo é enorme, e seu enredo é tão fascinante, que me envolveu completamente antes mesmo de saber dos detalhes através do livro.

Porém a decepção foi grande. Já aviso previamente que não jogo videogames, sou uma perdedora nisso (e tenho orgulho em dizer que prefiro livros aos jogos, mesmo achando-os interessantes e respeitando quem gosta), portanto minha crítica é de uma leitora, ok? E se quiser mais argumentos para não vir me atacar com pedras na mão, isso é uma resenha literária, e sim, diante da história tão envolvente de Assassin's Creed, eu até já comecei a jogá-lo - e pretendo continuar assim que tiver tempo o suficiente.

O livro narra a história de um jovem com mania de sabe-tudo, Ezio, filho de um dos maiores banqueiros da cidade de Florença, Giovanni Auditore. Porém, sua família tem inimigos que, à primeira vista, trata-se de concorrentes do mercado, mais precisamente os Pazzi, outra família dona de um banco da cidade. E ficaria por aí, com inimizades, ameaças e brigas, se a situação não tivesse caminhado para algo pior: Giovanni e os outros dois irmãos de Ezio são assassinados por acusações sem fundamentos, e, acima de tudo, traição. A sorte de Ezio foi ter escapado da morte, e, fugindo dela, foi ao encontro de seu tio Mario em Monteriggioni, o qual lhe desvendou o mistério que Giovanni escondia da família: o Credo dos Assassinos (do qual Mario e ele próprio faziam parte) e o seu maior inimigo, os Templários, estes últimos sujeitos sanguinários, lunáticos e ignóbeis, capazes de tudo para deter o poder.

Este Credo, descobriu Ezio, tem como objetivo maior resgatar e proteger objetos de uma antiga profecia (objetos estes que garantem um poder supremo e verdades descomunais) das mãos dos Templários, que demonstraram não medir esforços em sua  missão - também resgatar a profecia, porém usá-la de maneira que levaria o mundo ao caos.

Decidido a recuperar a honra de sua família morta, com o passar dos anos e de várias missões em busca dos tesouros e do aniquilamento dos passos dos Templários, Ezio se transforma em um assassino poderoso, quase que invencível.

A história impele o leitor a desejar avidamente o final, o encontro do tesouro e a revelação do que ele é capaz. Essa é a principal falha da história, pois o que mais me desagradou foi a insustentabilidade que teve a história pela qual passei várias horas lendo. Imaginei que fosse ter explicações plausíveis, e uma narração muito boa para o desenrolar final dos fatos (que é o que mais se espera nessa história), porém não chegou nem perto de um "aceitável". O que Oliver Bowden nos apresentou foi uma ação fraca, previsível até demais e, além de tudo, insignificantemente fundada. Fiquei até mais confusa do que já estava, e o final pareceu bobo considerando todo o enredo que foi criado.

Voltando, me decepcionei diante do trabalho de Oliver Bowden. Esperava mais de um escritor e historiador. Me arrisco a dizer que Bowden talvez mereça mais o título de historiador do que o de escritor, pois sua escrita é altamente previsível e desanimadora. Aquele sentimento de estar preso à história não surge na maior parte do livro. Em toda missão pela qual Ezio passava, já sabia que teria êxito e que viria outra e mais outra vitória. Tudo bem quanto a isso, até, porém o final não compensa os fatos anteriores.

Uma coisa que eu realmente gostei no livro foi a inserção de um personagem que realmente existiu. Em toda a história, Ezio tem a fidelidade de nada mais, nada menos que Leonardo da Vinci, e seu personagem foi muito bem construído, com sua conhecida personalidade presente. Ele é apresentado ao leitor como o artista não somente pintor, mas também inventor, curioso quanto a anatomia, cientista, literata, gênio e muito mais. Adorei a presença e a importância que ele teve para a história.

Porém o que mais gostei foi o enredo e a história criada. Não baseada nos livros, mas sim na história original, o jogo. A história pode ser incrível para a franquia de jogos, e para quem o joga, porém como livro considero um fracasso. Talvez com um outro escritor o livro desse certo. O que mais me desaponta é saber que Oliver Bowden tinha o roteiro e as falas prontas, e que só precisou montar uma sequência para isso, e que, ainda - e infelizmente - não obteve sucesso.

Eu fico triste ao divulgar uma resenha tão negativa, porém sou sincera, sobretudo quanto a minha opinião. Se você não joga Assassin's ainda e esperava por críticas do livro para começar a jogá-lo, não se prenda a isso, pois poderá perder a chance de escontrar um ótimo jogo através de um livro fraco. Porém, se já for um jogador fã da série, aconselho a continuar assim, e, a menos que tenha tempo o suficiente  e estiver disposto a formar sua própria opinião, leia e me conte o que você próprio achou da história, mas não crie grandes expectativas. O máximo que poderá lhe ocorrer é achar bacana, porém o livro não irá, nunca, alcançar o sucesso do jogo.

Por último, uma conclusão sobre adaptações que não pude deixar de ter em meus pensamentos: Quem adora ler saber que adaptações cinematográficas geralmente não atendem às expectativas. Eu sei muito bem disso, pois já fui vítima em casos como Percy Jackson e os Olimpianos (Rick Riordan) e Eragon (Christopher Paolini), mas agora também sei que isso se aplica a adaptações literárias de jogos. É bem possível que muitas adaptações venham a decepcionar um dos públicos envolvidos, mas quem quer lucrar sempre busca um meio para garantir mais dinheiro, não é mesmo?

8 comentários:

  1. Não sei pq, + nem a capa e nem a sinopse me empolgaram :(

    Adorei sua sinceridade na resenha!!!!

    Bjss

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  2. Achei a história muito interessante e um amigo, ao iniciar a leitura, estava tão empolgado que senti muita vontade em ler, porém com a sua decepção em relação ao escritor me deixou bem receosa. Tua sinceridade evitará grandes decepções, pelo visto! Pretendo comprar o jogo, afinal há grandes elogios sobre a criação e todo o enredo.
    Adaptações normalmente são decepcionantes, mas pretendo ainda assim ler o livro para formar minha própria opinião e conhecer um pouco mais sobre o enredo do jogo.
    Talvez - e isso é apenas uma hipótese! -, o que realmente fez Oliver Bowden se tornar o escritor da série seja o fato dele ser historiador e, assim, não cometer grandes enganos com os fatos reais.

    Beijos,
    @umalimonada - http://samyaquino.blogspot.com

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  3. Gostei da sua sinceridade e admito que mesmo o jogo fazendo sucesso e tal, eu não tenho vontade nenhuma de ler esse livro. Simplesmente não faz meu estilo.

    Beijinhos,
    Thais P.
    http://thaypriscilla.blogspot.com

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  4. Que pena que você não gostou do livro :( Eu ainda não li, mas fiquei bastante curiosa por ver uma adaptação de um game... que logo será adaptado para o cinema. Obrigada pela sinceridade!

    Beijos,
    whosthanny.com

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  5. Mel, fazia tempo que eu não vinha aqui por causa da viagem, QUE LAYOUT LINDO! Adorei mesmo, você quem fez? Ver o Big Ben ali me deixou com uma saudade!
    Enfim, eu tenho muita vontade de ler o livro - li bastante resenhas negativas, como a sua, mas tenho um amigo viciado no jogo que tá fazendo minha cabeça haha
    Beijos

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  6. Nossa, Mel. Eu sempre pensei que o livro fosse bom, sua resenha é primeira que leio sobre ele e fico grata de ler lido toda sua sinceridade sobre. Achei muito interessante esse fato de adaptar um jogo para livro, pensei que o resultado fosse sucesso, uma pena que não foi.
    Adorei a resenha e vou passar longe do livro.
    Beijos

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  7. Oi Mel, já vi o jogo antes, nunca joguei, mas conheço a história. Eu esperava que o livro fosse tão interessante quanto a história apresentada no "game", mas pelo visto, não. Essa não é a primeira resenha negativa que vejo sobre esse livro, já recebi o recado: "passar bem longe do livro". rsrs

    Beijos
    Ann G. anngominho.blogspot.com

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  8. Oi Mel, tudo bem?
    To com esse livro aqui a um tempão e nunca consegui ler. Talvez depois eu leia mas não é meu gênero favorito e por isso acho que não irei gostar da história.
    Beijos sua linda.
    Gaby
    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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