5.10.10

Resenha: A Morte do Cozinheiro

É verdade, eu matei o cozinheiro. Em momento algum deste livro negarei que matei o sórdido cozinheiro com minhas próprias mãos de escrever versos. Havia motivo claro em saciar-se com a sua morte, morte de quem por carne e gozo objetou-se ao incomensurável amor que me tornava tão puro. Eu estripei-o com suas facas imundas de trabalho banal, e escalpelei por mimo infantil, de criança brincalhona, ao ver os índios e escalpes na TV. Matei o demônio com noventa facadas, cultivando um novo demônio sanguinário em mim, portanto não negarei ter feito a coisa mais maravilhosa que eu poderia fazer por minha inconsequência gloriosa naquele momento: Eu matei o cozinheiro. A morte do cozinheiro já deve ser considerada uma das obras literárias mais intensas e atuais sobre a dor de cotovelo e o ciúme. De forma singular o autor nos guia sem medo até o amor doente de Luiz Aurélio e as psicoses novas da recente solidão induzida. A derrota do ”eu” exaltado, o abandono, e a morte que pede lugar ao descontentamento puramente egoísta caminham livres. Vemos um jogo de querer e não poder, que desenrola o frágil espírito do ser humano desiludido de amor. Usando a mescla de linguagens necessária em sua abordagem diferenciada, Allan Pitz atormenta os corações abalados neste livro memorável e instigante, fazendo enxergar com outros olhos a parte considerada cruel de uma trágica história romântica.

A Morte do Cozinheiro é um romance muito diferente de qualquer livro que já li. Ele é focado no relacionamento do narrador protagonista que, em sua concepção, foi traído por sua amada. 

O personagem, Luiz, confessa desde o início dois assassinatos. E conta a história de como conheceu Carmem, sua amada, como foi seu relacionamento, o rompimento e a traíção. Também se apega muito às descrições; Descreve o amante, seus amigos, Carmem, sua ex-sogra e o ambiente em que vive. 

A leitura é carregada de emoções devido ao ciúme que cega Luiz e é claro que não passam de ódios, escárnios, culpas, entre outras. O melhor de tudo é que a escrita está acima de toda a emoção desenvolvida e trágica: além de o personagem principal ser um aclamado escritor, Allan Pitz usou uma linguagem bem rebuscada em diversas ocasiões - e eu adorei isso! 

Com apenas poucas páginas, o autor conseguiu me prender do início ao fim, e só consegui largar o livro ao terminá-lo de ler (o que foi em pouco menos de uma hora). Uma coisa engraçada é o cheiro do livro - isso mesmo, o cheiro. Me fez lembrar de consultório odontológico, sabem? Uma delícia! HAHAHA Ok, devem me achar louca depois disso, mas realmente adorei o cheiro. A fonte é bem tradicional, maior do que o habitual, devo confessar. E ele é de um formato pequeno, e a capa é genial!

Fico tão feliz em poder publicar essa parceria aqui no blog, é realmente um honra poder "trabalhar" com livros nacionais. E já vou logo avisando para você, leitor: A Morte do Cozinheiro é genial, uma ótima válvula de escape daqueles livros de romance clichês. Não que eu não goste, pelo contrário. Mas o fato de eu ler muitos do gênero e de a maioria não sair do mesmo conceito, me faz aclamar ainda mais essa obra. É algo totalmente novo ao meu mundo, e me fez refletir bastante - e sim, adoro refletir ;)

Autor: Allan Pitz - Editora: Above Publicações - ISBN: 856308005-9  - Páginas: 79

5 comentários:

  1. Todo mundo elogia esse livro e eu tô LOUCA pra ter a chance de ler!

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  2. Eu não consigo ter vontade de ler esse livro, mesmo com muita gente falando bem dele.
    Adorei a resenha, Mel!

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  3. Eu já tinha visto ele, mas não me deu muita vontade de ler

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  4. Oiii, passeando pelos blogs cheguei aqui e adorei! Vou seguir...
    Pois é... com disse o pessoal acima, tb não tenho muita vontade de ler esse livro... Mas, a sua resenha ficou muito boa!
    Bjsss

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  5. Meu próximo livro da lista!!
    :)
    Estou ansiosa para ler.
    Beijo

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