19.9.10

Resenha: Triste Fim de Policarpo Quaresma




Sinopse: Policarpo Quaresma é um major cheio de idéias nacionalistas que trabalha como funcionário público no início da República. Ao defender que o tupi se torne a língua nacional, é ridicularizado e depois internado como louco. Quando finalmente é solto, vai morar no campo e resolve transformar seu sítio em sede da reforma agrária. Apóia o marechal Floriano na Revolta da Armada mas é ignorado, acabando preso e fuzilado. Uma sátira impiedosa do Brasil burocrático, atual e reconhecível apesar de referir-se a um momento histórico marcante.



 Quem nunca teve que ler Policarpo Quaresma porque a escola pediu? A maioria já. Não que vá lê-lo, já que a sinopse é tão boring (como quase todas nacionais e clássicas, anyway). Bom, amanhã tenho prova do livro, acabei de terminá-lo e minha conclusão é: nem tão ruim quanto O Cortiço, mas também não é aqueles que fico louca para ler. De um modo geral, eu até que gostei da leitura.
 Se eu for ver pelo lado da diagramação do livro, a leitura é fluida e fácil, principalmente levando em conta o tamanho da letra (minúscula!). Os acontecimentos narrados não foram um "a mais" na história, com raras exceções, e generalizando após lê-lo por inteiro, as situações decorridas durante a história são bem passageiras e contadas brevemente. É daqueles livros que você olha e pensa "não sei da onde surgiu tantas páginas!" hahaha


 O livro é dividido em três partes: A fase da loucura, da Agricultura e da Revolta Armada.
 Na primeira, o grande fato evidenciado é o patriotismo exagerado de Policarpo Quaresma, um trabalhador respeitado. Todos o vêem como um charlatão devido à quantidade de livros que ele diz ler, já que a mentalidade daquela época só aceitava que as pessoas bachareladas fossem leitores assíduos. Mas Policarpo sempre foi um leitor assíduo, sempre mudando o assunto de sua leitura conforme o que se passa em sua vida. De poucos amigos e muito recluso, não era muito sociável e apenas sua irmã, seu compadre e sua afilhada realmente o conheciam. De resto, apenas colegas de vizinhança e de trabalho.
 Nesta primeira parte o personagem faz amizade com Ricardo Coração dos Outros, um compositor e cantor que tinha o violão como sua paixão. Naquela época, quem tocava violão era visto como vagabundo e farreador, e assim que Ricardo começou a ensinar modinha a Policarpo, todos viram como um insulto aquele respeitoso trabalhador se metendo com esse tipo de gente. Todos preconceituosos, pois Ricardo Coração Dos Outros foi amigo de Policarpo até sua morte, sendo o que mais tentou salvá-lo da morte, junto com Olga, a afilhada. Outro fato importante narrado na primeira parte foi o patriotismo de Quaresma que o levou a insistir que o Tupi Guarani fosse tomada como língua oficial do país. Devido ao pedido que fez ao presidente e depois de escrever documentos importantes na língua, prenderam-no em um manicômio. No filme a sua permanência neste local é bem trabalhada; no livro, não, pois ele pouco fica lá. Então o fato importante desta passagem é o descaso dos poderosos que, diante de qualquer resistência, não raro mandavam à esses lugares quem lhes desafiasse.

A segunda parte é iniciada com a saída de Policarpo do manicômio, que decidiu descansar e, assim, comprou uma propriedade rural, pouco afastada da cidade. Em sua fazenda, tinha a ideia de usufruir da agricultura, mas não com a intenção de lucro, mas sim visando provar o quão boa eram as terras brasileiras. Ele dizia que o Brasil era o melhor país para se plantar, que tinha um solo rico e todo especial. Já podemos visualizar seu patriotismo aí. Assim, logo estabeleceu uma rotina de muito trabalho e persistência. Passava os dias a roçar e a cuidar de suas plantações. Logo vieram as pragas, representadas pelas formigas saúvas, que destruíram boa parte de sua fazenda. Depois também presenciou a infertilidade, que lhe tirou a crença. 

 Até eclodir a Revolta da Armada, rebelião feita pela Marinha brasileira contra o governo de Floriano Peixoto. Essa é o cenário da terceira parte do livro. Policarpo com todo o seu patriotismo, decidiu retornar à cidade para se aliar à Floriano Peixoto, a quem idolatrava. Se esforçou muito durante todas as guerras e sempre estudando artilharia e infantaria. Ao final da revolta, mandou uma carta à Floriano queixando-se e mostrando-lhe todo o seu descontentamento com o que presenciava: uma crueldade sem fim, uma carnificina com os rebelados prisioneiros. Não via necessidade naquilo, ficava abismado com toda frieza existente no presidente. Estava deveras horrorizado. 
 Como não suportava qualquer ideia contrária à sua, Floriano mandou prendê-lo e matá-lo. Policarpo Quaresma ficou visto como traidor. Ricardo Coração dos Outros tentou, em vão, conversar com todas as pessoas que conheciam seu amigo, mas ninguém queria se expor à qualquer perigo. A única pessoa que tentou ajudá-lo foi Olga, a afilhada de Policarpo. Diferentemente do filme, no livro Olga não possui nenhum caso com Quaresma. Muito menos Ismênia. Outra diferença com o filme é que Ismênia, na obra, não morre de tuberculose e sim, por adoecer devido ao noivo que a abandonou. Veja bem, não faz menção alguma de uma tuberculose, e nem rastros de trair o querido noivo com Policarpo Quaresma. Este, aliás, passa o livro inteiro, e até mesmo confessa no final,  sem ter qualquer relação com uma mulher. 
 
 E ele se arrepende de não ter vivido mais - de não ter festejado, amado, saído, feito amigos, uma família. Acima de tudo isso, arrependeu-se de ter sido tão patriota e visionário (sonhador). Entendeu, ao se ver traído pelo presidente e prestes a morrer, que fora um iludido. 

Autor: Lima Barreto - Páginas: 197

9 comentários:

  1. Ai Mel amo, amo e amo esse livro e até concordo com Policarpo em voltarmos a falar Tupi! Livro maravilhoso :D
    Beeijos

    ResponderExcluir
  2. Mel acabou de salvar o 2º ano inteiro. ASHUEAHSIASE...

    Muito boa mesmo a resenha, deu pra ter uma ótima noção dos temas explorados e o que deve ser focado, além de dizer as diferenças entre o filme e o livro. Acho que a Edna não deve ter se dado o trabalho de o ler, porque disse (e inclusive colocou na teoria da aula) que Ismênia morreu sim de tuberculose.

    ResponderExcluir
  3. ahahaha tambem acho, graças a você nem preciso mais estudar,rs

    ResponderExcluir
  4. Odeio ler esses livros para a escola, mesmo que seja bom eu acabo não gostando por ter que ler obrigada. Esse eu não li ainda (e espero nunca precisar!).
    O proximo que vou ler para a escola é Luzia-homem. Muito estranho, não consigo nem imaginar sobre oq é e dá até medo de saber.

    ResponderExcluir
  5. Odeio ler livros de escola eles nunca me alegram, tirando A menina que roubava livros, apesar de que ele não me alegrou porque.. ãh deixa pra lá, mas o livro é legal e ponto.
    Já sei onde procurar quando eu precisar lê-lo!
    Sorte que na minha escola eles não dão tempo nem pra respirar por isso não passam muitos livros.

    ResponderExcluir
  6. Eu era a única da minha sala que gostava de ler Dom Casmurro, Helena, Iracema e outros dentre esse daí. huahuahua

    Foi daí que peguei o gosto pela coisa.
    Beijão.
    ;)

    ResponderExcluir
  7. Oie flor, tem gostado do meu blog mesmo? Revirei o seu agora e adorei como vc tem mantido ele. Faço parceria sim tá?

    ResponderExcluir
  8. Amei a sua resenha! Eu li e assisti o filme, mesmo assim quis complementar com algo da internet,e achei esse! Gostei muito! E concordo sobre o livro O Cortiço, realmente, é um horror!

    ResponderExcluir
  9. Nunca tive vontade de ler esse livro, mas lendo sua resenha confesso que fiquei interessada. Eu ia ter que ler de qualquer forma, já que esse ano farei vestibular, mas agora vou pegar o livro sem aquela coisa na cabeça de que é muuuuito ruim. Obrigada! Rs. :P
    Bjo

    ResponderExcluir

Obrigado por visitar e comentar no Literature-se.
Assim que puder, visitarei o seu blog. Caso não tenha um, deixe twitter, Facebook ou e-mail para que eu possa respondê-lo :)
Dicas, sugestões e críticas construtivas? Comentários abertos para isso e muito mais, só contando com aquela boa dose de bom-senso necessário, né? ;)

 
Literature-se © Todos os direitos reservados :: Ilustração por Prih Mizuh (@pri_mizuh) :: voltar para o topo